Reciclagem nas periferias impulsiona renda, inclusão social e economia local

Especialista em sustentabilidade defende que tratar resíduos como matéria-prima pode transformar comunidades e gerar inovação na base da pirâmide

Transformar resíduos em oportunidade não é apenas uma pauta ambiental: é também uma forma de gerar inclusão, renda e dignidade. Nas periferias brasileiras, cooperativas e iniciativas comunitárias mostram que, quando o lixo é tratado como matéria-prima, ele pode se tornar um motor de transformação social e econômica.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apenas 4% dos resíduos sólidos no Brasil são efetivamente reciclados, embora 90% do material potencialmente reciclável passe pelas mãos de catadores. Em sua maioria, esses trabalhadores vivem em áreas de baixa renda e encontram na coleta e triagem sua principal fonte de sustento.

Para Rui Katsuno, especialista em sustentabilidade e economia circular, o cenário revela um potencial ainda pouco explorado. “A base da pirâmide econômica é onde a reciclagem pode ter o maior impacto. Quando investimos em estrutura, capacitação e valorização do trabalho dos catadores, não estamos apenas cuidando do meio ambiente: estamos gerando renda, fortalecendo comunidades e criando um ciclo virtuoso”, afirma.

Rui destaca que, em diversos territórios, pequenas cooperativas já se tornaram referência de inovação. “O que antes era descartado hoje se transforma em matéria-prima para novos produtos, movimentando a economia local. Esse é o verdadeiro significado de economia circular: devolver valor ao que parecia não ter mais utilidade”, completa.

Os exemplos vão de móveis e peças de decoração feitos com madeira reaproveitada à confecção de bolsas e acessórios a partir de banners e lonas descartadas. Além de promover responsabilidade ambiental, essas iniciativas garantem sustento para centenas de famílias.

Para Rui, o próximo passo é ampliar políticas públicas e investimentos privados que apoiem esse ecossistema. “Se quisermos falar sério sobre sustentabilidade no Brasil, precisamos enxergar a reciclagem não como custo, mas como investimento social, econômico e ambiental. A transformação começa quando todos entendem que o lixo pode, sim, deixar um legado”, conclui.

Sobre Rui Katsuno

Rui Katsuno é empresário e comunicador do setor de plásticos, Presidente do Instituto Soul do Plástico e da MTF Termoformadoras, com mais de 36 anos de experiência. Referência no segmento, ele ganhou destaque nas redes sociais ao desmistificar informações incorretas sobre o uso dos plásticos e promover práticas sustentáveis com linguagem acessível e direta. Rui também lidera projetos sociais em escolas públicas, levando educação, inclusão, cultura e empreendedorismo para jovens e crianças. Sua trajetória mostra que é possível unir indústria, responsabilidade social e educação em prol de um futuro mais informado e sustentável.