Jornal de Plásticos: 70 anos de luta e atividade…

                                                            Stela Maria Sardinha Chagas de Moraes

Quando meu pai, Ataliba Belleza Chagas, fundou o Jornal de Plásticos, no dia 9 de julho de 1956, meu irmão, Ângelo Roberto Sardinha Chagas, tinha dois anos de idade e eu ainda era apenas um projeto no ventre de minha mãe.

Minha irmã, Marta Maria Sardinha Chagas, só nasceria três anos mais tarde e, para nós três, o Jornal de Plásticos era uma espécie de irmão, sempre presente, fosse pela máquina de escrever – sempre em atividade; fosse pela correspondência – sempre abundante; mas, sobretudo, pelas conversas de meus pais.

Sim, porque é importante salientar que meu pai, ao fundar o jornal, não dispunha de instalações próprias para abrigar a sede da empresa, que funcionava, portanto, em nossa casa.

E era com muita alegria que minha mãe, Maria Magdalena Sardinha Chagas, contava que a ela cabiam várias funções: a revisão dos artigos escritos por meu pai, a contabilidade, os arquivos…

Esse fato não é um mero detalhe: sem o auxílio imprescindível de minha mãe, como meu pai sempre frisava, o Jornal não teria visto a luz do dia.

Meus pais se complementavam em tudo e o Jornal de Plásticos veio coroar um sonho compartilhado por eles: o de lançar uma publicação que, como meu pai antevia, acontecia no momento exato em que o plástico despontava como uma matéria que substituiria, com muitas vantagens, outras já existentes, como o vidro, o ferro, a madeira, e que, depois, se tornaria praticamente insubstituível.

E, também como antevia meu pai, a indústria brasileira havia de se desenvolver, em grande medida, graças à expansão e evolução da produção dessa matéria ainda pouco conhecida do público. Em muitos de seus artigos, de forma carinhosa, ele costumava se referir a todos que trabalhavam com esse material de: “A Família Plástica do Brasil!”.

De fato, tenho muito orgulho ao olhar para a história do Jornal de Plásticos e constatar que ele foi um dos grandes propulsores da indústria petroquímica e plástica do país.

Ainda me lembro, claramente, dos relatos de meu pai, que estabelecia um roteiro para percorrer as empresas e indústrias que, em sua maioria, à época, se concentravam na cidade de São Paulo. Foram tempos de muito trabalho – e o suor das mãos gastava a alça das pastas de couro que ele usava em suas visitas aos empresários e industriais.

Mas o reconhecimento pela importância de sua iniciativa pioneira, por sua capacidade de analisar e apresentar soluções aos problemas de uma indústria nascente e por seus artigos certeiros não tardou a se apresentar. E foram muitas as homenagens que meu pai recebeu ao longo de sua carreira como jornalista, à frente do Jornal de Plásticos.

E à medida que fomos estudando e terminando a faculdade, meus irmãos e eu começamos a desempenhar alguns papéis no Jornal. Meu irmão, assim que terminou a faculdade de Engenharia Química, passou a assessorar meu pai, assumindo, aos poucos, a direção efetiva da empresa. Sobretudo após o falecimento de nossa mãe, fato que, como não poderia deixar de ser, abalou profundamente meu pai.

Mas, graças aos esforços de meu irmão, no enfrentamento dos inúmeros desafios ocasionados pela situação adversa por que passava o país, no início dos anos 1990, o Jornal de Plásticos seguiu seu caminho.

E até 2005, ano em que veio a falecer, meu pai acompanhou e participou, na medida de suas possibilidades, das edições do JP.

Devido aos novos projetos profissionais ligados à minha profissão, deixei, há alguns anos, minhas funções no Jornal, guardando, no entanto, o mesmo amor por esse sonho a que meus pais deram forma e que faz parte, não somente de nossa história, mas da história do país.

Minha irmã vem dividindo com meu irmão a direção da empresa e a publicação das edições. E é graças a uma grande resiliência diante das dificuldades, ao trabalho minucioso e esmerado por eles desempenhado e à dedicação incondicional de que ambos dão provas, ao longo do tempo, que hoje, com muita alegria, podemos estar comemorando os 70 anos do Jornal de Plásticos!

Um brinde à “Família Plástica do Brasil”!