IA que prevê pedidos de distribuidores chega no topo de ranking nacional de inovação

 

Motor de inteligência artificial desenvolvido pela Globalsys para o setor logístico superou grandes players e ficou em primeiro lugar no segmento no IT Forum 2025.

 

Uma tecnologia capaz de prever, com alta precisão, quais produtos um distribuidor vai comprar antes mesmo dele abrir o pedido. Esse é o motor de inteligência artificial desenvolvido pela Globalsys, empresa de tecnologia sediada no Espírito Santo, que garantiu à companhia o primeiro lugar na vertical de logística do ranking “100 Mais Inovadoras no Uso de TI 2025”, promovido pelo IT Forum, superando gigantes do setor.

A solução foi criada em parceria com a Braveo, empresa que atua na distribuição logística em estados como Ceará, Piauí, Mato Grosso e Santa Catarina, e que conta com um portfólio de mais de 90 mil produtos. O desafio era claro: tornar os pedidos feitos por distribuidores mais assertivos, aumentando a taxa de conversão de vendas.

“A gente desenvolveu junto a esse cliente um motor de tecnologia artificial que faz uma análise de cada um dos pedidos anteriores e próximos pedidos, e entrega para esse cliente, para esse B2B, um pedido muito mais próximo ao que ele estaria de fato realizando”, explicou Beto Yunes, CTIO da Globalsys.

Hiperpersonalização em escala

O sistema vai além da simples análise de histórico. O motor cruza dados de consumo individual, correlações entre produtos, sazonalidade e até características regionais para gerar o que Yunes chama de “hiperpersonalização”. “Numa gama gigante de pessoas, a gente consegue chegar a um nível personalizado para cada uma”, afirmou.

Na prática, isso significa que um vendedor que vai visitar um cliente já chega com um carrinho de compras sugerido, montado automaticamente pelo sistema. “Ele não precisa adivinhar. Ele já sabe exatamente o que o cliente quer, pelo histórico ou por outras vias que venham a ser feitas ali dessa análise”, disse o executivo.

A tecnologia também opera via WhatsApp e aplicativos mobile, processando comandos em linguagem natural. Um vendedor pode simplesmente informar que está a caminho de um cliente e receber, instantaneamente, todo o contexto necessário para fechar a venda.

O “supervendedor” e o futuro da força de vendas

Para Yunes, o avanço da IA não elimina o profissional de vendas, ele o transforma. “Não vai ter o vendedor, vai ter o supervendedor. Porque ele vai ter muito mais insumo para chegar”, avaliou. Na visão do executivo, o contato humano e o carisma do vendedor são atributos que a tecnologia não substituirá, mas potencializará.

A analogia que o CTIO usa é direta: imagine chegar a uma reunião já sabendo os hobbies, a rotina, os hábitos de compra e até as preferências pessoais do cliente. “A pessoa vai se sentir muito mais acolhida. Imagina um vendedor fazendo isso”, disse.

IA proprietária e segurança de dados

Questionado sobre a segurança no uso de inteligências artificiais abertas ao público, Yunes defendeu a adoção de LLMs (Large Language Models) verticalizados e proprietários para o ambiente corporativo. “Uma área de RH, por exemplo, tem uma inteligência artificial que só conhece RH, com especialidades inerentes somente a ela dentro desse contexto corporativo”, explicou.

Globalsys oferece esse tipo de consultoria, avaliando o nível de maturidade digital das empresas e propondo planos de transformação com IA, como um de seus serviços centrais. “Não basta investir, tem que saber o que se quer”, resumiu o executivo.