Realizado durante a Fispal Tecnologia, evento trouxe painéis com temas que vão da instabilidade geopolítica às mudanças de comportamento do consumidor, passando pelos efeitos da aceleração tecnológica
O Congresso Fispal Tec reuniu especialistas e executivos de grandes empresas para debaterem as tendências e as transformações que estão impactando a indústria de alimentos e bebidas no Brasil e no mundo. Os temas abordados refletiram os desafios mais urgentes do setor, como os efeitos da instabilidade geopolítica nas cadeias de suprimentos, as mudanças no comportamento do consumidor frente ao avanço das canetas emagrecedoras e os desafios da aceleração tecnológica. O congresso aconteceu entre os dias 16 e 18 de junho, durante a Fispal Tecnologia 2026, no São Paulo Expo.
Cases de sucesso tiveram destaque na programação, além de sustentabilidade, automação, gestão de crise e uso de inteligência artificial, assuntos que formam um amplo panorama de informação e reflexão para o setor. O objetivo era que os participantes saíssem do evento com conhecimento aplicável, melhor preparados para os desafios de planejamento e gestão, podendo conectar os movimentos do mercado às suas decisões estratégicas.
Para Marina Cappi, gerente da feira, o congresso foi um ponto de conexão entre público, tomadores de decisão e especialistas, a partir do qual foi possível antecipar mudanças e entender os novos rumos da indústria. “O Congresso Fispal Tec é um espaço onde queremos transformar o cenário em estratégia. Para isso, reunimos lideranças e pesquisadores cujos insights podem gerar impactos verdadeiros nas empresas”, destacou Cappi.
Os impactos da geopolítica na indústria de alimentos e bebidas
Entre os destaques da programação encontrou-se o painel com o tema da geopolítica das cadeias alimentares. O debate partiu da percepção de que o cenário da política internacional deixou de ser um tema lateral e passou a interferir diretamente em custos, prazos e decisões operacionais das empresas.
Segundo João Alfredo Nyegray, professor da FAE e da PUC-PR e doutor em internacionalização e estratégia, que participou da atividade, o mundo deixou de operar sob uma lógica de previsibilidade econômica e passou a funcionar sob uma lógica de competição entre Estados, e isso mudou a forma como as empresas deveriam se posicionar frente ao comércio internacional, com novas abordagens na gestão de suas cadeias de suprimentos.
“O que estamos vendo é uma mudança estrutural no modo como o mundo funciona e na própria lógica do sistema internacional”, explicou Nyegray. “Para navegar nesse novo cenário, as empresas precisam desenvolver inteligência geopolítica aplicada ao negócio. Isso significa mapear dependências críticas na cadeia, diversificar fornecedores, regionalizar operações onde fizer sentido e fazer da resiliência um critério de decisão tão importante quanto custo e eficiência.”
No mesmo painel, a visão da indústria foi dada por Thiago Carvalho Pereira, vice-presidente e supply chain da Natural One. “O grande risco hoje, além do conflito em si, é a combinação entre volatilidade econômica e perda de previsibilidade. A empresa segue focada em eficiência de custos, como preço e capital empregado, mas passa a ponderar mais sobre disponibilidade devido aos altos riscos de rupturas diante da redução na confiabilidade de entrega”, afirmou
Thiago Pereira reforçou que a gestão de fornecedores deixou de ser uma operação de otimização de custos para se tornar uma área estratégica de mitigação de riscos. E complementou: “É preciso investir em capacidade de resposta rápida, em redundância inteligente. A cadeia não pode mais ser desenhada só para funcionar bem quando tudo está normal, ela precisa funcionar principalmente quando tudo dá errado”.
Canetas emagrecedoras e o novo perfil de consumo
As mudanças de comportamento do consumidor de alimentos e bebidas já vinham se transformando nos últimos anos, mas a chegada e crescente popularização das canetas emagrecedoras tem acelerado este movimento. Esse foi o tema do painel que contou com a participação de Manoella Tarouco, head de marketing das marcas YoPRO e Activia da Danone.
Para a executiva, a aceleração das mudanças no perfil de consumo tem como foco a busca por produtos com mais funcionalidade e melhor perfil nutricional. “Pessoas em uso de medicamentos como os à base de GLP-1 tendem a preferir alimentos não apenas com maior densidade nutricional, mas também em saciedade, aporte proteico e manutenção da massa muscular, especialmente diante da redução do apetite”, explicou.
Segundo Tarouco, o principal desafio da indústria é integrar inovação, ciência e experiência ao mesmo tempo. “Reformular produtos é complexo porque o consumidor continua buscando prazer, sabor e conveniência, além de ser saudável. Existe também um desafio importante da velocidade. O comportamento do público está mudando rapidamente e as empresas precisam adaptar portfólio, cadeia produtiva e comunicação em um ritmo muito mais acelerado”, destacou. “Mais do que responder a uma tendência de curto prazo, é preciso construir um portfólio preparado para um consumidor que quer viver mais e melhor, com produtos que unem ciência, saúde e prazer.”
Sobre a Fispal Tecnologia
A Fispal Tecnologia é o principal evento de negócios e inovação para a indústria de alimentos e bebidas da América do Sul. Com mais de quatro décadas de história, a Feira reúne os principais players do mercado, apresentando as mais avançadas tecnologias em automação, processos e embalagens que impulsionam a evolução da indústria alimentícia. O evento proporciona um ambiente único para networking, geração de negócios e acesso às últimas tendências que estão moldando o futuro do setor, conectando fornecedores, compradores e especialistas.
Maiores informações: www.fispaltecnologia.com.br

